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Wise Man Takes All

24 Fev

Este é o nome de um programa de televisão criado na China em 2005, caracterizado pelo The Independent, na altura, como algo como “Confucius meets Donald Trump“. O programa começou com 10.000 participantes, que foram reduzidos a apenas 16 após uma fase preliminar. Cada um deles teve de submeter um plano de negócios e o prémio para o vencedor consistia em 1 milhão de ienes para financiar o projecto.

Apesar de ter sido inspirado no reality show americano “The Apprentice”, o programa chinês apresentou-se com formato e objectivos bem diferentes. Como referiu Chen Lian, responsável da empresa criadora do programa, numa entrevista antes da sua estreia, tentou-se que o programa reflectisse o contexto económico e social da China e que, em vez de apelar a uma competição acirrada entre participantes, se focasse na componente educacional e aguçasse o espírito empreendedor dos jovens. Não só os participantes concorriam entre eles para cumprir determinadas tarefas, como tinham de apresentar os seus planos para serem avaliados por um painel de professores e especialistas em negócios empresariais.

Esta é, quanto a mim, uma forma interessante de se promover o empreendedorismo. E já foi posta em prática em 2005! Pode até nem ser a melhor, mas pelo menos é uma maneira diferente e, de certa forma, inovadora. Numa altura em que estamos mergulhados numa crise profunda, em que está perfeitamente reconhecida a importância das pessoas empreenderem, criarem empresas e dessa forma gerarem riqueza, parece-me um bom meio para incutir a vontade de empreender na população e de lhe transmitir algum conhecimento sobre como o fazer.

Sabemos que em Portugal há concursos de ideias de negócio, mas têm visibilidade limitada e acabam por estar “escondidos” da maioria da população. A sua importância acaba por se cingir meramente aos participantes.

 

O que se pode ganhar com uma iniciativa do género?

O vencedor consegue um valioso apoio financeiro para o seu empreendimento. Ainda assim, tal até pode nem ser o mais importante e, muitas vezes, o facto de ser vencedor até pode não significar muito (há quem defenda, com alguma razão quanto a mim, que em concursos de ideias e de empreendedorismo, até é mais vantajoso perder do que ganhar).

Todos os participantes acabam por aprender durante o concurso, são apoiados e aconselhados na fase inicial dos seus projectos e ainda conseguem que lhes seja dada visibilidade.

Os espectadores têm a oportunidade de aprender com a experiência dos outros e podem ser influenciados e inspirados a também eles empreenderem – os mais novos, principalmente, podem mesmo tomar os participantes como modelos a copiar¹.

As televisões podem ganhar em audiências. Bem sei que talvez não seja o formato que mais audiências atraia, mas será que com o momento actual do país, não haverá quem esteja interessado em saber mais sobre como criar a sua própria empresa?

Finalmente, o país pode ganhar em espírito empreendedor da sua população, competitividade, inovação e riqueza gerada.

 


Adenda:

1 – O documento “Entrepreneurship in the EU and Beyond“, da autoria da Comissão Europeia, indica que de entre os portugueses entrevistados que já alguma vez iniciaram um negócio ou que estão a pensar em fazê-lo, 79% consideram que a existência de um modelo a seguir foi importante para a sua decisão de criar uma empresa.

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Publicado por em 24 de Fevereiro de 2011 em economia, empreendedorismo

 

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