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O crescimento, sempre o crescimento

09 Jun

Foi disponibilizado, há dois dias, o relatório elaborado pela equipa  do FMI que conduziu as negociações com o Governo Português, sendo interessante analisar a apreciação que é feita da economia e das finanças nacionais.

O relatório salienta bem que o problema do nosso país é o baixo crescimento económico: “There is unanimity that low growth is the fundamental problem” (pág. 9). A despesa estatal nos sectores da saúde e da segurança social é referida, mas é contraposta com a reforma da segurança social de 2007, elogiada, no relatório, por ter conseguido reduzir o impacto fiscal do envelhecimento da população para um nível bem abaixo da média europeia.

Como não poderia deixar de ser, são também referidas as nossas já tradicionais deficiências estruturais a nível de competitividade (nomeadamente as baixas qualificações dos trabalhadores – a que eu acrescento também os empresários – e os graves problemas de eficiência da justiça), factores grandemente limitadores do crescimento.

O crescimento deficitário, quando conjugado com a alavancagem exagerada da banca nacional, a enorme dívida do sector privado (que excede 260% do PIB) e o risco fiscal associado às PPP, conduziu à situação actual.

É de relevar a menção feita ao aumento dos desequilíbrios económicos na sequência da adesão ao Euro (a queda significativa das taxas de juro impulsionou o crescimento dos sectores de bens não-transaccionáveis, que desviaram recursos dos sectores de bens transaccionáveis; adoptou-se uma moeda forte, mas cuja elevada apreciação da taxa de câmbio dificulta as exportações; criaram-se desequilíbrios fiscais e externos; a taxa de poupança desceu substancialmente) serem apontados como tendo influência na falta de crescimento do nosso país.

Faço uma nota final relativa às previsões feitas até 2016, pela relevância que têm, ao possibilitar um vislumbre do que será o futuro de Portugal a curto / médio prazo. Está previsto o crescimento continuado do défice público em termos absolutos, como seria de esperar; já em termos de percentagem do PIB irá crescer até 2013, iniciando uma descida (lenta) a partir de 2014, ano em que se prevê que Portugal volte a registar uma taxa de crescimento acima dos 2%.

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Publicado por em 9 de Junho de 2011 em economia, governação

 

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